sábado, 21 de março de 2026

                      

                      Eu Sou


O silencio, quando estamos cansados, ganha um peso diferente. Sua tessitura muito mais amarga, rispidez de navalha cega, apertado como roupa íntima dentro da qual crescemos para além da conta. 

Palavras viram zumbidos.

A casa de marimbondos só está em silêncio para quem a vê de fora. Por dentro é o caos
Contido em frágil e Tosca estrutura.


Sensações se misturam em abafada angústia e Nada tem a fisicalidade natural, posto que a matemática do Silêncio é aquela de uma solidão ensimesmada e ímpar. É um gorfar pra dentro que nos entope e enche de sujidade e excreção o Pulmão.

Excreção pra dentro se projeta? O que mais além de pus? calo pelo repetido atrito. Calo De toda pressão.

ExcreciDade
SumariDário
MortalhaMentum


Entopido de toda potência não ejaculada, tudo o que devia mas não veio ou que veio apenas como dívida. Mais a mim mesmo que a quem jamais me soube (ou coube) cobrar


***

O silêncio cansado onde o sentido Eccoa. ali tateia cego e ouve o aroma desgostoso do que eu não posso dizer porque não quero perguntar. Sentido que não se busca, pois apenas assente-se; anedonia anedótica de um mundo inteiro que internalizo pra sentir qualquer coisa mas não acho Nada mais que grassa. Então Eu Rio, Mas só o silêncio resta. Incansável.

Excrecer pra dentro
Carnegão em nódoa
Impulso revestido de anti-vida


Escondido atrás de um sorriso, amarelado pela fumaça que de fora chega e já não tem onde se instalar, pois que tudo é silêncio e mangue e angustiante beleza. E estou cansado.

Desejos:

Não amar(rar)
Não desviver
Por favor: não ressuscitar

Não pedido de socorro. Apenas buzinas atadas ao longe e um som de motor afogando no verde escuro da minha recôndita baía

A deriva arrastando contra o calado do peito mal aberto. Aperto frouxo de quem não acredita em nada além de liberdade. Ou poesia. Ou qualquer bobagem dessas que não compra um pão amassado/dormido/bolorento

O lençol que rasgo pra puxar o ar
Eu mesmo pûs, e, maculado
Entronizei e introjetei dejetos

                                                                                                                                                    ***



Quantas palavras cabem no silêncio? Sim

Estou cansado

Não me sinto só. Estou. Sou
Sempre fora

A gramática não me alcança e nem o léxico me basta


Aqui só há Silêncio, zumbindo surdo

Mudo sigo. Mundos vêem e mundos vãos sem jamais fincar raiz. Pesar é mato, mas meu sangue é vermelho, e preto, e branco. Anfiteatro de aflição fantasma, fincado no lugar comum das marés e seus sabores, é a estrutura própria de minha alma, na qual não creio pois que se foda a metafísica. Não vivo de amanhãs, senão de ontem e mais anteontem e antes de anteontem ainda. 


E sigo mais porque curioso ou teimoso ou qualquer  rótulo que me queiram atirar ao peito. Sou a própria flecha, o alvo e o arqueiro, tenso de que emfim acerte. 
Zune o arco e então se encerra

Baixa a cortina. Não há aplauso vaia ou audiência. A pedra fundamental que organiza minha alquimia está mirando pra dentro de meus olhos esvaziados e secos, desde um salgado oceano que deságua em rio Doce. Doce como o calor. O calor escuro do fundo frio do mar de Atlântida. Estou cansado.
Não me sinto só

Estou cansado

Não me sinto, só sou

Estou cansado

Não me sinto. Só, Sempre fôra. 
 

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